A comunicação é a espinha dorsal de qualquer organização que almeja eficiência, inovação e um ambiente colaborativo. Quando fluida e alinhada, ela fortalece a cultura organizacional, impulsiona a produtividade e cria pontes entre diferentes áreas, evitando silos e conflitos. Porém, quando falha, gera ruídos que reverberam em todos os níveis: desde a execução operacional até a experiência do cliente.
Os resultados coletados revelam um cenário marcado por desafios estruturais, culturais e operacionais. As respostas dos colaboradores — ricas em exemplos concretos e percepções críticas — destacam um gap significativo entre a intenção comunicativa e a prática diária. Enquanto alguns reconhecem avanços recentes, como iniciativas de integração promovidas por lideranças específicas, a maioria aponta para uma realidade onde a comunicação é reativa, fragmentada e, muitas vezes, carregada de tensões interpessoais.
Além disso, lideranças são frequentemente citadas como parte do problema: desde a falta de exemplo na postura colaborativa até a centralização de decisões sem consultar equipes impactadas. Há relatos de gestores que postergam respostas, ignoram solicitações ou não envolvem stakeholders em projetos transversais, reforçando uma hierarquia rígida e pouco aberta ao diálogo.
Contudo, há sinais de esperança e oportunidades claras de melhoria. Colaboradores valorizam iniciativas como reuniões de alinhamento entre áreas, documentação de processos e a atuação de profissionais proativos que facilitam a comunicação. Há também sugestões práticas, como a criação de uma matriz de responsabilidades, a padronização de canais e a implementação de treinamentos em comunicação não violenta e gestão de conflitos.
Esta análise não apenas mapeia os desafios, mas também convida as organizações a refletirem sobre como a comunicação pode se tornar um pilar estratégico, alinhando-se à cultura desejada e às metas de negócio.
Principais temas identificados
Falta de centralização e clareza: Mudanças estruturais, processos críticos e decisões estratégicas nem sempre são comunicadas de forma transparente ou acessível, gerando surpresas desnecessárias e retrabalho.
Excesso de canais e ferramentas desconectadas: A ausência de um padrão único para comunicação (como o uso simultâneo de e-mail, Teams, WhatsApp e Workplace) fragmenta informações e dificulta o acesso a dados essenciais.
Cultura defensiva e desalinhamento de prioridades: Áreas atuam como “ilhas”, priorizando interesses individuais em detrimento de objetivos coletivos, o que alimenta conflitos e uma postura reativa diante de problemas.
Impacto direto no cliente: A demora na transmissão de informações, a falta de alinhamento entre promessas comerciais e execução, e a ausência de uma visão sistêmica geram frustração e perda de confiança por parte dos clientes.
Resistência a ferramentas digitais e falta de capacitação: Ainda que a empresa disponibilize plataformas de comunicação, há uma subutilização de seu potencial, aliada a dificuldades em adotar uma comunicação impessoal e objetiva, como sugerido por um colaborador que comparou o ideal comunicacional ao jornalismo.
Tendências observadas
Os resultados da pergunta revelam padrões recorrentes que apontam para desafios profundos e oportunidades de transformação. Abaixo, as principais tendências observadas, organizadas em eixos temáticos:
Comunicação Reativa vs. Proativa
A comunicação é frequentemente reativa, ocorrendo após problemas surgirem, em vez de prevenir falhas através de alinhamentos prévios gerando retrabalho, desgaste emocional e impactos diretos no cliente (ex.: promessas comerciais não alinhadas com a operação).
- Relatos de iniciativas implementadas sem consulta a áreas impactadas (ex.: mudanças em processos de TI, decisões sobre OKRs).
- Falta de notificação antecipada sobre alterações estruturais (ex.: squads descobrindo demandas em cima da hora).
- Situações onde "investigar a causa de um problema" consome mais tempo do que a solução em si.
Centralização vs. Fragmentação da Informação
A informação está dispersa em múltiplos canais (e-mail, Teams, WhatsApp, Workplace), sem padronização ou governança clara o que acarreta a perda de eficiência, duplicidade de esforços e sensação de desorganização institucional.
- Colaboradores relatam dificuldade em encontrar dados essenciais (ex.: "notas gerais" sobre clientes, processos atualizados).
- Falta de um "comunicador central" para questões transversais (ex.: necessidade de redirecionar solicitações entre várias pessoas).
- Documentação insuficiente (ex.: POPs não lidos, intranet subutilizada).
Cultura Defensiva e Falta de Alinhamento de Propósitos
Predomínio de uma cultura de silos, onde áreas priorizam interesses individuais em vez de objetivos coletivos. Conflitos interpessoais, desconfiança e impacto na experiência do cliente (ex.: expectativas não atendidas).
- Comportamentos como "omitir informações para ser detentor do conhecimento" (ex.: multicanal e tecnologia).
- Áreas atuando na defensiva (ex.: CS focado em "minimizar percepções negativas do CEO" em vez de resolver problemas).
- Relatos de "jogar responsabilidades para outros" e falta de colaboração entre squads.
Impacto Direto na Experiência do Cliente
Falhas na comunicação interna reverberam em erros percebidos pelo cliente final acarretando risco à reputação da empresa e à fidelização de clientes.
- Clientes recebendo informações divergentes de diferentes áreas.
- Atrasos na entrega de serviços devido à falta de alinhamento entre comercial e operação.
- Sensação de que "o cliente perde" quando a comunicação falha.
Resistência a Ferramentas Digitais e Comunicação Impessoal
Subutilização de ferramentas digitais e preferência por interações pessoais, mesmo quando ineficientes causando lentidão na resolução de demandas e sobrecarga de interações presenciais.
- Críticas ao uso excessivo de e-mail e falta de adoção de plataformas integradas (ex.: Teams pouco explorado).
- Mensagens e e-mails mal interpretados como "ataques pessoais", gerando necessidade de reuniões para esclarecimentos.
- CEO visto como "resistente a modernizar canais de comunicação".
Liderança como Facilitadora ou Obstáculo
A atuação da liderança é polarizada: alguns gestores promovem integração, enquanto outros perpetuam gaps. A comunicação eficiente depende de modelagem comportamental pela liderança (ex.: cobrar prontidão em respostas).
- Exemplos positivos: Iniciativas do Diretor Fernando Schneider para integrar áreas via reuniões e encontros.
- Exemplos negativos: Heads que "postergam retornos" ou não envolvem times em decisões (ex.: mudanças no programa Quero Ser Data).
Necessidade de Processos Documentados e Acessíveis
Processos internos são pouco claros ou desconhecidos por áreas vizinhas. Falta de autonomia dos colaboradores e dependência excessiva de validações hierárquicas.
- Sugestões para mapear e documentar processos na intranet.
- Relatos de "desconhecimento de responsabilidades" entre áreas (ex.: quem responde por integrações de APIs).
Colaboração x Individualismo
Enquanto alguns times colaboram de forma exemplar, outros mantêm uma postura individualista. A colaboração é reconhecida como exceção, não como regra.
- Destaques a profissionais que "ajudam prontamente", contrastando com squads que "ignoram mensagens importantes".
- Cultura de "cada um cuida do seu" versus iniciativas pontuais de integração (ex.: reuniões semanais entre compras e produção).
Comunicação como Questão Emocional
A comunicação é afetada por ruídos emocionais, como medo de conflitos e falta de empatia. Ambiente tenso, onde a objetividade é sacrificada em prol de evitar conflitos.
- Mensagens interpretadas como "ataques pessoais".
- Relatos de "arrogância" no trato entre áreas.
- Medo de "romper relações" ao discordar tecnicamente.
Gap entre Estratégia e Execução
Decisões estratégicas são comunicadas de forma incompleta ou tardia aos times operacionais, desmotivando e causando e sensação de desalinhamento com os objetivos da empresa.
- Falta de alinhamento no planejamento estratégico.
- Mudanças em programas ou processos sem consulta prévia aos envolvidos.
Polarização de Percepções
Há divergência radical entre colaboradores: alguns veem evolução (ex.: "melhorou muito nos últimos anos"), enquanto outros criticam a estagnação ("empresa na pré-história"): a comunicação é percebida de forma desigual, dependendo da área e das experiências individuais.
- Respostas como "sim, é eficiente" contrastam com "não, é um dos maiores gargalos".
- Reconhecimento de iniciativas positivas versus demanda por mais integração.
Melhores práticas identificadas
A análise das respostas revela práticas existentes que funcionam, comportamentos a serem evitados e oportunidades de aprimoramento. As "melhores práticas" aqui identificadas não se limitam a ações já consolidadas, mas incluem insights valiosos sobre o que precisa ser replicado, corrigido ou desenvolvido.
Padronização de Canais e Documentação de Processos: Centralizar informações em plataformas únicas e documentar processos para garantir acesso democrático e reduzir fragmentação.
Comentários Positivos
- "Sugiro um campo de 'NOTAS GERAIS' no perfil do cliente no app, notas essas que são importantes para vários setores e que são objetivas."
- "Todos os processos deveriam ser mapeados, chancelados pela coordenação e gerência, e colocados na intranet."
- "O Teams foi uma excelente aquisição; poderíamos reavaliar os procedimentos e promover uma comunicação mais integrada."
- "Reuniões semanais entre compras, produção e comercial para alinhar estoques e demandas."
- "Criar um comunicador central de fácil acesso com a área (ex.: [...]).”
Comentários Negativos
- "A empresa vive na pré-história e usa e-mail para tudo, com CEO resistente a ferramentas modernas."
- "POPs raramente são lidos, e a intranet é desconhecida por alguns colaboradores."
- "Cada área usa uma plataforma diferente (Teams, Workplace, e-mail), dificultando a unificação."
- "Falta um workspace único com dados atualizados sobre operações."
- "Decisões são tomadas sem documentar impactos, gerando retrabalho."
Comentários Mistos/Neutros
- "Melhoramos na integração, mas ainda dependemos de muitas ferramentas desconectadas."
- "O [...] ajuda, mas ações mais constantes são necessárias."
- "Algumas equipes usam o [...], mas nem todos exploram seu potencial."
- "Temos avanços, mas a comunicação ainda é truncada por falta de um sistema único."
- "Sugestões de padronização existem, mas falta implementação."
Liderança como Catalisadora da Integração: Líderes que promovem encontros interáreas, modelam colaboração e garantem alinhamento estratégico.
Comentários Positivos
- "A comunicação melhorou graças ao Diretor [...], que promoveu encontros integradores."
- "Coordenadores deveriam incentivar colaboradores a responder mensagens prontamente."
- "Líderes do programa [...] criaram uma rede de apoio entre áreas."
- "Reuniões de governança com VPs ajudam a ver o macro, mas precisamos de mais eventos entre gerências."
- "Quando a diretoria se envolve, há avanços, mas é preciso consistência."
Comentários Negativos
- "Heads postergam retornos e passam imagem pouco profissional aos liderados."
- "Decisões sobre o programa [...] foram tomadas sem consultar os envolvidos."
- "Lideranças de BI ignoraram a opinião do time em mudanças críticas."
- "Falta exemplo de respeito entre os próprios heads."
- "Comunicação top down desalinhada da realidade operacional."
Comentários Mistos/Neutros
- "Alguns líderes são proativos, outros perpetuam silos."
- "Iniciativas de integração existem, mas são inconsistentes."
- "A liderança melhorou, mas ainda há resistência a feedbacks."
- "Exemplos positivos são reconhecidos, mas não replicados."
- "A comunicação da alta gestão é eficiente, mas não eficaz."
Cultura de Colaboração e Empatia: Ambiente onde a comunicação é direta, impessoal e focada em soluções, não em culpas.
Comentários Positivos
- "[líder], [líder] e [líder] são exemplos de colaboração pronta."
- "Sinto que estamos mais integrados, com comunicação transparente."
- "Quando há ajuda mútua, resolvemos problemas rapidamente."
- "Programas como [...] fortalecem redes de apoio entre áreas."
- "Alguns colegas são solícitos e facilitam a comunicação."
Comentários Negativos
- "Mensagens são mal interpretadas como ataques pessoais."
- "Áreas agem na defensiva, buscando culpados em vez de soluções."
- "Falta empatia: tratam colegas com arrogância ou deboche."
- "Medo de discordar tecnicamente para não romper relações."
- "Cultura de 'cada um por si' predomina."
Comentários Mistos/Neutros
- "Alguns times colaboram bem; outros ignoram solicitações."
- "Melhoramos, mas ainda há resistência em ouvir outras áreas."
- "Comunicação é boa entre áreas do mesmo 'guarda-chuva', mas falha com outras."
- "Há avanços, mas falta maturidade para lidar com conflitos."
- "Empatia existe, mas não é regra."
Comunicação Proativa e Preventiva: Antecipar impactos, comunicar mudanças com antecedência e envolver stakeholders em decisões.
Comentários Positivos
- "Sugiro um estudo prévio de impactos antes de implementar projetos."
- "Planejamento [...] mostrou a importância do alinhamento contínuo."
- "Encontros para apresentar planejamentos de Marketing e SAC evitariam surpresas."
- "Notificar mudanças com antecedência economizaria tempo de investigação."
- "Reuniões de alinhamento reduzem retrabalho."
Comentários Negativos
- "Decisões são tomadas do dia para a noite sem comunicar áreas impactadas."
- "Mudanças em TI são planejadas sem envolver PMs ou considerar roadmaps existentes."
- "Falta comunicação sobre cancelamentos de atendimentos, gerando frustração."
- "Projetos são implementados sem aviso prévio, prejudicando indicadores."
- "Informações essenciais chegam atrasadas, impactando prazos."
Comentários Mistos/Neutros
- "Há esforços pontuais, mas falta sistematicidade."
- "Algumas áreas são proativas; outras, reativas."
- "Melhoramos em planejamento, mas ainda falhamos na execução."
- "Comunicação estratégica existe, mas não chega à operação."
- "Antecipar informações é sugerido, mas não praticado."
Uso Estratégico de Ferramentas Digitais: Adotar plataformas integradas para mensagens, gerenciamento de projetos e armazenamento de dados.
Comentários Positivos
- "O [...] ajuda no controle de demandas; poderíamos expandir seu uso."
- "Sugiro um sistema único para formalizar comunicações entre áreas."
- "Grupos no Teams agilizam respostas quando bem utilizados."
- "Ferramentas como [...] centralizariam solicitações."
- "Workspaces com dados atualizados facilitariam consultas."
Comentários Negativos
- "CEO resiste a modernizar canais, mantendo cultura do e-mail."
- "Ferramentas digitais são subutilizadas por falta de treinamento."
- "Mensagens no WhatsApp são informais e inadequadas para o trabalho."
- "Falta integração entre sistemas, gerando redundâncias."
- "Plataformas existem, mas não há governança para uso."
Comentários Mistos/Neutros
- "O Teams é útil, mas nem todas as equipes o adotaram."
- "Ferramentas ajudam, mas não substituem diálogo humano."
- "Há avanços tecnológicos, mas a cultura ainda é analógica."
- "Algumas squads usam ferramentas bem; outras as ignoram."
- "Modernização é possível, mas requer mudança cultural."
As respostas destacam que comunicação eficiente requer:
- Estrutura clara (canais padronizados, processos documentados).
- Liderança exemplar (que promova colaboração e transparência).
- Cultura de empatia (foco em soluções, não em culpas).
- Proatividade (antecipar impactos e envolver stakeholders).
- Tecnologia aliada (ferramentas integradas e bem utilizadas).
Os comentários mistos/neutros reforçam que a empresa está no caminho certo em algumas iniciativas, mas precisa de consistência e escalabilidade para transformar práticas isoladas em padrões organizacionais.
Sentimentos identificados
A comunicação organizacional não é apenas um processo técnico, mas um reflexo de emoções, expectativas e percepções coletivas. As respostas à pesquisa revelam uma gama complexa de sentimentos, que variam de frustração e desalento até esperança e reconhecimento. Esses sentimentos não apenas apontam para lacunas operacionais, mas também para a necessidade de uma abordagem mais humana e empática na gestão da comunicação.
Frustração e Desalento
Falhas recorrentes, retrabalho e impactos negativos no cliente.
- "A comunicação entre as áreas não é eficiente. A empresa vive na pré-história e usa e-mail para tudo, com CEO resistente a ferramentas modernas."
- "Decisões são tomadas do dia para a noite sem comunicar áreas impactadas, gerando retrabalho e desgaste."
- "Mensagens são mal interpretadas como ataques pessoais, obrigando reuniões desnecessárias."
- "Sinto falta de respeito entre heads, que postergam retornos e passam imagem pouco profissional."
- "A área de CS age na defensiva, mais preocupada com a imagem do que com o cliente."
Esperança e Reconhecimento
Iniciativas positivas de integração e profissionais colaborativos.
- "A comunicação melhorou muito graças ao Diretor Fernando Schneider, que promoveu encontros integradores."
- "[líder], [líder] e o [líder] são exemplos de prontidão e colaboração."
- "O [...] tem ajudado a acompanhar novidades de outras áreas."
- "O programa [...] criou uma rede de apoio essencial entre áreas."
- "O Teams foi uma excelente aquisição; precisamos explorar mais seu potencial."
Resignação e Ceticismo
Falta de confiança em mudanças e percepção de estagnação cultural.
- "A empresa está tão enxuta que todo esforço é focado na operação, sem espaço para melhorias."
- "Sugeri melhorias, mas falta implementação. Parece que não há interesse real em mudar."
- "A comunicação eficiente depende do indivíduo, não da empresa. É uma loteria."
- "Já me acostumei a resolver tudo pessoalmente, pois ferramentas digitais não funcionam."
- "Melhoramos, mas ainda falta muito para sermos uma referência."
Sobrecarga e Exaustão
Excesso de canais, retrabalho e falta de clareza.
- "Precisamos ir até a mesa das pessoas para resolver algo que um e-mail resolveria, mas ninguém responde."
- "Perco horas procurando informações em múltiplos workspaces desatualizados."
- "Clientes contatam três pessoas diferentes para o mesmo problema, gerando retrabalho."
- "Ter que marcar reuniões para cada pequena decisão é exaustivo."
- "A comunicação é tão fragmentada que sinto que trabalho em várias empresas ao mesmo tempo."
Orgulho e Pertencimento
Identificação com iniciativas bem-sucedidas e times colaborativos.
- "Nosso squad [...] é exemplo de eficiência: todos se ajudam e comunicam com transparência."
- "Sinto orgulho de fazer parte de um programa como o [...], que integra áreas."
- "Quando conseguimos alinhar compras, produção e comercial, sentimos que fazemos a diferença."
- "Ver o cliente satisfeito após corrigirmos um erro por comunicação ágil é gratificante."
- "Apesar dos desafios, amo trabalhar aqui porque vejo colegas dedicados a melhorar."
Desconfiança e Medo
Cultura de culpa, falta de transparência e receio de conflitos.
- "Áreas omitem informações para se proteger, prejudicando a operação."
- "Tenho medo de discordar tecnicamente e ser malvisto por colegas."
- "Mensagens são levadas como ataques pessoais, então evito ser direto."
- "Não confio que o time de dados priorizará minha demanda."
- "Decisões são tomadas sem nos consultar, como se não fôssemos confiáveis."
Otimismo Crítico
Reconhecimento de progresso, mas demanda por mais ações.
- "Melhorou muito, mas ainda falhamos em integrar áreas como Marketing e SAC."
- "O [...] é um avanço, mas precisamos de mais frequência e profundidade."
- "Vejo evolução na transparência, porém falta padronização de processos."
- "A comunicação está mais fluida, mas ainda depende do esforço individual."
- "Há bons exemplos de colaboração, mas precisamos replicá-los em toda a empresa."
Impotência e Desmotivação
Falta de voz nas decisões e sensação de invisibilidade.
- "Decidiram mudar nosso contrato para Home Office sem nos consultar, desmotivando o time."
- "Sinto que minha área [...] é pouco valorizada, como se nosso trabalho não importasse."
- "Ninguém ouve nossas sugestões; é como se gritássemos no vácuo."
- "Me esforcei para melhorar a comunicação, mas não vejo mudanças estruturais."
- "Por que propor melhorias se nada muda há anos?"
Os sentimentos revelam uma organização em transição: há orgulho em iniciativas pontuais e esperança em líderes transformadores, mas também frustração com gaps crônicos e desconfiança em processos opacos. A empresa precisa:
- Validar emoções (ex.: criar espaços seguros para feedbacks).
- Agir sobre causas raízes (ex.: fragmentação de canais, cultura de silos).
- Celebrar avanços para fortalecer o senso de pertencimento.
A comunicação eficiente não é só uma questão de processos, mas de como as pessoas se sentem ao se comunicar.
Recomendações
Centralização e Padronização da Comunicação
- Criar um comunicador central para informações críticas (mudanças, processos, dados de clientes).
- Mapear e documentar processos-chave em formato acessível (ex.: intranet com fluxos visuais).
- Estabelecer uma matriz de responsabilidades claras para cada tipo de comunicação (ex.: quem deve ser notificado sobre mudanças em TI).
- Eliminar canais redundantes (ex.: migrar do WhatsApp para o Teams).
Fortalecimento da Liderança como Modelo
- Capacitar líderes em comunicação não violenta, gestão de conflitos e práticas colaborativas.
- Workshops com foco em escuta ativa e feedback construtivo.
- Incluir métricas de comunicação (ex.: tempo de resposta a solicitações) nas avaliações de desempenho de gestores.
- Reconhecer publicamente líderes que promovam integração (ex.: cases de Diretorias).
Cultura de Colaboração e Transparência
- Transformar a comunicação em valor organizacional, alinhado à missão e visão da empresa.
- Criar eventos cross-áreas (ex.: feiras de projetos, reuniões mensais entre SAC, Marketing e TI).
- Implementar treinamentos em empatia para reduzir conflitos interpessoais.
- Estabelecer um acordo de comunicação (ex.: diretrizes para mensagens objetivas e impessoais).
Uso Estratégico de Tecnologia
- Adotar ferramentas digitais integradas para gestão de projetos e comunicação ágil.
- Estabelecer definitivamente um canal oficial de comunicação, com treinamentos práticos.
- Implementar sistemas de gerenciamento de projetos (ex.: Asana, Jira) visíveis a todas as áreas.
- Criar um dashboard único com métricas operacionais atualizadas em tempo real.
Comunicação Proativa e com foco no cliente
- Antecipar impactos e alinhar expectativas internas/externas.
- Realizar testes e provas de conceitos antes de implementar projetos (ex.: "Quais áreas serão impactadas?").
- Padronizar a comunicação com clientes (ex.: notas gerais no perfil do cliente, atualizadas em tempo real).
- Criar um comitê multidisciplinar para revisar promessas comerciais x capacidade operacional.
Gestão de Sentimentos e Engajamento
- Transformar emoções negativas em ações concretas de melhoria.
- Implementar canais seguros de feedback.
- Criar um programa de reconhecimento para colaboradores que facilitem a comunicação entre áreas.
- Desenvolver rodas de conversa mensais para discutir desafios comunicacionais.
Documentação e Governança
- Garantir que decisões e processos sejam registrados e socializados.
- Designar donos para atualização de POPs e documentos na intranet.
- Implementar revisões trimestrais de processos com representantes de todas as áreas.
A comunicação eficiente não é um fim, mas um meio para construir confiança, agilidade e inovação. As recomendações propostas demandam comprometimento da alta liderança, investimento em capacitação e uma mudança cultural que priorize transparência e colaboração.
A organizações estão diante de duas escolhas: perpetuar os comportamentos que geram custos emocionais e operacionais ou abraçar a comunicação como alicerce estratégico. A segunda opção não apenas resolverá gargalos imediatos, mas posicionará a organização como um exemplo de liderança humanizada e resultados sustentáveis.
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